
Divisão entre brancos e mestiços
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Como sequela do período escravocrata, Brasil busca a diminuição das desigualdades sociais para pessoas de pele escura |
Quanto mais escura a pele, maiores são as dificuldades de ascensão social. Tem sido assim desde os tempos da escravidão. Para viabilizar o processo de colonização com a mão de obra escrava africana, ao longo de 300 anos, o colonizador tirou dos escravos toda a dignidade humana pertencente a eles. A partir de então, a raça branca passou a ser sinônimo de supremacia e poder, em detrimento absoluto dos pretos, indígenas e mestiços.
Hoje, o País se encontra divido entre os brancos, detentores de todos os privilégios, e os descendentes dos escravos e indígenas, que vivem privados de direitos básicos. Uma sociedade dominada exclusivamente pelos brancos, onde mais da metade da população é formada por pessoas de pele escura.
Assim é o Brasil que reflete sobre o Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro. Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, IBGE, indicam que, pelo menos 54% da população brasileira é preta, ou seja, a soma dos pretos e mestiços. Mesmo que seja a maioria, essa parte desprivilegiada da sociedade brasileira está inserida nas piores estatísticas que medem o desenvolvimento socioeconômico; no acesso a serviços básicos de qualidade, como a educação, saúde e emprego.
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BATALHA RACIAL Segundo a História, foram mais de 4 milhões de escravos trazidos da África para o Brasil colonial, ao longo de três séculos. Foi o suficiente para a genética africana estar perpetuada, em maior ou menor grau,em mais da metade da população de 220 milhões que habitam o país em 2021. Como o centro político e econômico do período colonial, o Nordeste recebeu a maioria desses escravos que foram trabalhar na lavoura da cana de açúcar, |
além da atividade agropastoril no processo que colonizou o sertão. Mas, o eixo central do poder deixou o Nordeste.
Ao longo do século XIX, pelo menos 4 milhões de pessoas de pele branca, vindas, principalmente, da Alemanha, Portugal, Itália e Espanha, se mudaram para o Brasil. O objetivo era compensar a predominância africana e indígena, espalhando os brancos por todo o território nacional. Entretanto, devido ao calor e a decadência econômica do Norte e Nordeste, os europeus que imigraram para o Brasil nesse período se concentraram no Sul e Sudeste.
Tradicionalmente, as pessoas vão embora para onde há melhores oportunidades de sobrevivência. Enquanto isso, os escravos “libertados” foram abandonados sem nenhuma assistência e os descendentes deles continuam até hoje necessitando de inclusão social.
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O BRASIL DA ATUALIDADE O confronto entre os descendentes de europeus e africanos forma o paradigma do Brasil atual. Pelos dados oficiais do IBGE, mais ou menos 75% do Norte e Nordeste é predominantemente habitado por pessoas pretas e mestiças, resultado da fusão genética entre os portugueses, africanos e indígenas. Enquanto aproximadamente 80% da população do Sul e Sudeste é formada |
pelos europeus que chegaram ao longo do século XIX.
A maioria desses imigrantes já chegaram casados, ou seja, em terras brasileiras geraram filhos 100% brancos. O contrário do Nordeste colonial, onde apenas os homens portugueses e holandeses foram morar, gerando filhos mestiços com mulheres indígenas e escravas de origem africana. Com a divisão racial estabelecida entre o Norte e o Sul, o Brasil procura soluções para combater o racismo, além de rentar melhorar a dignidade dessa população estigmatizada desde o longo período escravocrata e colonial.
Quando os afrodescendentes assumem a própria cor da pele e a cultura inerente, eles passam a ter orgulho das próprias origens, e isso funciona como forma de combater a discriminação que sofrem, pois passam a ter a autoestima elevada para prosseguir a vida sem medos e traumas. A cultura africana é uma das mais ricas e se faz notável no Brasil, especialmente na Bahia, que se destaca na música e no carnaval. A Lei das cotas raciais está contribuindo para a inserção dos negros e mestiços no acesso à educação superior, além de ocuparem algum espaço na publicidade e televisão. São mudanças positivas alcançadas, que ajudam na construção de um mundo menos injusto.
Redação: Paulo Machado
Revisão: Daniel Paulo
Imagem: https://optclean.com.br/50-imagens-da-consciencia-negra-2017/



